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- Mas o que a gente vai fazer com um robô maníaco-depressivo?
- Você acha que o seu problema é sério? – exclamou Marvin, como se estivesse se dirigindo ao novo morador de uma sepultura. – E eu? O que faço se eu sou um robô maníaco-depressivo? Não, nem tente responder; eu sou 50 mil vezes mais inteligente que você e nem eu sei a resposta. Só de tentar me colocar no seu nível intelectual, fico com dor de cabeça.
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- Ah, a vida – disse Marvin, lúgubre. – Pode-se odiá-la ou ignorá-la, mas é impossível gostar dela.
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- (…) A ciência conseguiu algumas coisas fantásticas, não vou negar, mas acho mais importante estar feliz do que estar certo.
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Ford ficou lá fora e resolveu examinar a nave de Blagulon. Enquanto caminhava, quase tropeçou numa figura inerte, deitada de bruços na poeira fria.
- Marvin! – exclamou ele. – O que você está fazendo?
- Não fique achando que você tem a obrigação de se importar comigo, por favor – disse Marvin, com uma voz monótona e abafada.
- Mas como é que você está, sua lata velha? – perguntou Ford.
- Deprimidíssimo.
- O que houve?
- Eu nem sabia que tinha havido alguma coisa – disse Marvin.
- Por que – indagou Ford, acocorando-se ao lado do robô, tremendo de frio – você está deitado de bruços na poeira?
- Pra quem está com o astral lá embaixo, é um prato cheio. – disse Marvin. – Não finja que você está com vontade de falar comigo. Eu sei que você me odeia.
- De jeito nenhum.
- Odeia, sim, você e todo mundo. Faz parte da estrutura do Universo. É só eu falar com uma pessoa que na mesma hora ela me odeia. Até os robôs me odeiam. É só você me ignorar que provavelmente eu vou sumir do mapa.
O robô levantou-se e ficou olhando para o outro lado, irredutível.
- Aquela nave me odiava – disse, apontando para a nave policial.
- Aquela nave? – perguntou Ford, subitamente animado. – O que aconteceu com ela? Você está sabendo?
- Ela passou a me detestar por que falei com ela.
- Você falou com ela? Como assim?
- Muito simples. Eu estava muito entediado e deprimido, e aí me liguei na entrada externa do computador. Conversei por muito tempo com o computador e expliquei a ele a minha concepção do Universo – disse Marvin.
- E o que aconteceu? – insistiu Ford.
- Ele se suicidou – disse Marvin, e foi caminhando em direção à nave Coração de Ouro.
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o guia do mochileiro das galáxias, volume 1